HOMILIA DOMINICAL: 3º Domingo do Tempo Comum (A Boa Nova de Jesus - Homilia 32 de Orígenes)


Homilia Dominical: 3º Domingo do Tempo Comum - A Boa Nova de Jesus

Autor: Orígenes - Comentário ao Evangelho de São Lucas (Século III d.C.)


Quaisquer que sejam as condições, portanto, consideremos o que é dito no livro do Profeta e o que, em seguida, Jesus proclama de si mesmo na sinagoga. “Ele me enviou”, disse ele, “para levar a Boa-Nova aos pobres”. Os pobres significam os gentios. Eles eram, com efeito, pobres que não possuíam absolutamente nada, nem Deus, nem Lei, nem Profetas, nem justiça, nem nenhuma outra virtude. É por esta razão que Deus o enviou, para que fosse o mensageiro para os pobres: para “anunciar aos cativos a libertação”. Nós fomos cativos, por tantos anos Satanás nos mantinha acorrentados, prisioneiros e sujeitos a seu poder. Jesus veio “anunciar aos cativos a libertação e aos cegos, o retorno à visão”.


Com efeito, pela sua palavra e pela pregação de sua doutrina, os cegos voltam a ver. Sua pregação deve ser entendida como alcance geral, não só para os cativos, mas também para os cegos. “Devolver a liberdade aos oprimidos”. Que ser foi destarte oprimido e magoado quanto o homem, que, por Jesus, foi libertado e curado? “Proclamar um ano da graça do Senhor.” Segundo a interpretação literal pura e simples, dizem que o Salvador pregou o Evangelho por um ano na Judeia, e [esse] é o sentido da expressão: “Proclamar um ano da graça do Senhor e o dia da retribuição”, se a Palavra de Deus não quiser, talvez, dizer algo de mistério na proclamação do ano do Senhor.


Os dias futuros, com efeito, serão diferentes, não tais quais os que vemos agora neste mundo, os meses também serão diferentes tanto quanto a ordem das calendas. Se todos esses tempos são, pois, diferentes, assim também o ano do Senhor que há de vir é portador de graça. E todas essas realidades foram anunciadas, para que depois de ter passado da cegueira à visão, depois de ter passado das correntes à liberdade, depois de ter passado das diversas feridas à cura, cheguemos ao “ano da graça do Senhor”.


“Depois de ter lido essas palavras, enrolando o livro, o deu ao servo e assentou-se, e todos, na sinagoga, tinham os olhos fixos nele.” Mesmo atualmente, se o quiserdes, em nossa sinagoga e assembleia, vossos olhos podem fixar-se sobre o Salvador. Quando tiveres direcionado, com efeito, o olhar mais profundo de teu coração para contemplar a Sabedoria e a Verdade e o Unigênito de Deus, teus olhos fixar-se-ão sobre Jesus. Bem-aventurada a congregação da qual a Escritura dá testemunho de que “os olhos de todos estavam fixos sobre ele!”.


Como eu queria que esta assembleia tivesse semelhante testemunho, que os olhos de todos, dos catecúmenos, dos fieis, das mulheres, dos homens e das crianças, não os olhos do corpo, mas os da alma, estivessem voltados para Jesus! Quando tiverdes, com efeito, voltado vosso olhar para ele, sua luz e sua contemplação tornarão vossos rostos mais luminosos e podereis dizer: “Foi assinalada sobre nós a luz de tua face, ó Senhor”: “a quem pertencem a glória e o poder nos séculos dos séculos. Amém”.


Fonte: ORÍGENES. Comentário sobre o Evangelho de Lucas. Homilia 32 sobre Lc 4, 14-20. Disponível para download neste link.

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